Royalty mínimo: quando cobrar um valor mínimo por mês na franquia
Atualizado em · 6 min de leitura · Equipe Franquiei
Royalty mínimo é um piso mensal que a franqueadora cobra do franqueado mesmo quando o percentual sobre o faturamento fica abaixo dele. A cobrança fica com o maior valor entre o percentual e o mínimo. Ele protege a receita da rede em meses fracos, mas aumenta o risco do franqueado no início. Defina-o na COF, com base de cálculo clara, e teste em cenários conservadores.
Em resumo
- Royalty mínimo é um piso: o franqueado paga o maior valor entre o percentual sobre o faturamento e o mínimo.
- Regra prática: o mínimo não deve passar de cerca de 40% da margem líquida da unidade em um faturamento conservador.
- Em meses fracos, o mínimo pode pesar mais do que o percentual. Por isso, costuma vir com carência no início.
- A COF precisa descrever o mínimo como parte das taxas periódicas, com a base de cálculo.
- Antes de fixar o valor, simule cenários pessimistas com a calculadora e revise tudo com um advogado especializado.
Neste guia
- O que é royalty mínimo em franquia?
- Como funciona a conta do royalty mínimo na prática?
- Quanto cobrar de royalty mínimo sem sufocar o franqueado?
- Quando faz sentido usar royalty mínimo?
- Como escrever o royalty mínimo na COF e no contrato?
- Quais são os riscos do royalty mínimo?
- Como testar o valor antes de definir o royalty mínimo?
- Perguntas frequentes
O que é royalty mínimo em franquia?
É o valor mínimo mensal de royalties que o franqueado paga, independentemente de quanto a unidade faturou. Na prática, a franqueadora define um percentual sobre o faturamento e um piso em reais. Se o percentual der menos que o piso, vale o piso.
Como funciona a conta do royalty mínimo na prática?
Pela regra acima, o franqueado paga o percentual nos meses bons e o mínimo nos meses fracos. O exemplo abaixo usa royalties de 6% e mínimo de R$ 3.000 por mês, valores ilustrativos e coerentes com o exemplo de referência do Franquiei (faturamento de R$ 80.000 por mês).
| Faturamento bruto | 6% (percentual) | Royalty devido | Peso efetivo |
|---|---|---|---|
| R$ 30.000 | R$ 1.800 | R$ 3.000 (mínimo) | 10,0% |
| R$ 40.000 | R$ 2.400 | R$ 3.000 (mínimo) | 7,5% |
| R$ 50.000 | R$ 3.000 | R$ 3.000 | 6,0% |
| R$ 80.000 | R$ 4.800 | R$ 4.800 | 6,0% |
Repare que, até R$ 50.000 de faturamento, o mínimo é o que vale. A partir daí o percentual assume e o mínimo deixa de existir na prática. Ou seja, o mínimo só mexe com a rede quando a unidade vai mal.
Quanto cobrar de royalty mínimo sem sufocar o franqueado?
Como regra prática, o royalty total, incluindo o mínimo, não deve passar de cerca de 40% da margem líquida da unidade em um faturamento conservador. Assim você testa o piso contra o cenário ruim, e não contra o melhor mês.
- Escolha um faturamento conservador, abaixo da média esperada (por exemplo, R$ 50.000 por mês).
- Calcule a margem líquida antes de royalties nesse faturamento: 18% de R$ 50.000 dá R$ 9.000.
- Calcule o teto de royalties: 40% de R$ 9.000 dá R$ 3.600 por mês.
- Compare o mínimo com o teto. Um mínimo de R$ 3.000 cabe no teto; um mínimo de R$ 4.500 não cabe.
- Repita a conta com um faturamento ainda menor, de R$ 30.000. A margem cai para R$ 5.400, e um mínimo de R$ 3.000 consome 55% dela.
O último passo mostra o problema: um mínimo que cabe no cenário conservador pode estourar o teto em um mês muito fraco. Por isso, muitas redes combinam o piso com carência e com revisão periódica do valor.
Quando faz sentido usar royalty mínimo?
Faz sentido quando a rede precisa de receita previsível desde cedo e as unidades têm faturamento parecido de um mês para o outro. O mínimo funciona melhor em negócios de fluxo recorrente, como serviços com agenda fixa e unidades de alimentação com demanda estável.
- Negócios de demanda estável, em que o faturamento raramente cai abaixo de um piso.
- Redes que precisam pagar suporte fixo, como equipe de campo, desde a primeira unidade.
- Franquias com faturamento alto no início, em que o mínimo não encosta na margem do franqueado.
Em negócios sazonais, como sorveteria ou loja de presentes, o mínimo tende a punir o franqueado fora de temporada. Nesses casos, prefira o percentual puro ou um mínimo que varie por mês do ano. Para comparar as opções, veja royalties fixos ou percentuais.
Como escrever o royalty mínimo na COF e no contrato?
Escreva o mínimo como uma taxa periódica completa, com valor, base de cálculo, data de início e regra de atraso. A Lei 13.966/2019 exige que a COF informe as taxas periódicas e suas bases de cálculo, e o mínimo faz parte disso.
- Informe o valor mínimo mensal e o percentual, lado a lado, com um exemplo numérico.
- Diga quando o mínimo começa a valer (por exemplo, após 3 a 6 meses de carência, como regra prática).
- Explique o que acontece se o franqueado atrasar o pagamento, com multa e juros dentro do que a lei permite.
- Preveja uma revisão do valor a cada ano, com critérios objetivos e aviso prévio.
- Peça ao advogado que confira a redação na COF e no contrato antes de entregar ao candidato.
Quais são os riscos do royalty mínimo?
O principal risco é o franqueado com caixa apertado não conseguir pagar em um mês ruim, o que vira inadimplência e conflito. Em uma rede pequena, um caso assim costuma ser suficiente para desgastar a relação com toda a base.
- Inadimplência em meses fracos, que obriga a franqueadora a cobrar e a negociar.
- Desgaste com franqueados que se sentem cobrados por uma operação que ainda não entrega faturamento.
- Dificuldade de vender a franquia, porque o candidato faz a conta do pior mês e desiste.
- Risco jurídico se o mínimo não estiver claro na COF, já que a omissão de informação exigida pode gerar anulação do contrato, conforme o art. 4º da lei.
Como testar o valor antes de definir o royalty mínimo?
Teste com números reais da sua unidade piloto e com três cenários: esperado, conservador e pessimista. Se o franqueado não fecha a conta no pessimista, o mínimo é alto demais para aquela rede, mesmo que pareça razoável no papel.
A calculadora de royalties é gratuita e serve para simular o percentual e o piso antes de qualquer decisão. Se quiser ver o efeito no payback e no lucro do franqueado, o Plano Completo (R$ 197, pagamento único) traz o unit economics do franqueado e um mapa de riscos para registrar esses cenários.
Uma consultoria pode ajudar a modelar esse ponto com você. Ela faz mais sentido quando a rede já tem vários franqueados e disputas sobre cobrança. Se você ainda está definindo o modelo, o Pacote Franqueador (R$ 497, pagamento único) já entrega os números, o manual rascunho e o Kit COF pré-preenchido com as suas taxas, o que deixa a revisão do advogado mais rápida e mais barata.
Perguntas frequentes
O royalty mínimo é permitido pela Lei de Franquias?
A Lei 13.966/2019 não proíbe o royalty mínimo nem fixa valores de royalties. Ela exige que a COF informe as taxas periódicas e suas bases de cálculo, então o piso precisa estar descrito lá e no contrato.
Royalty mínimo pode ser cobrado durante a implantação da unidade?
Pode, mas muitas redes preferem uma carência nos primeiros meses. Se houver carência, ela precisa estar escrita no contrato e descrita na COF, com data de início clara.
Qual a diferença entre royalty mínimo e royalty fixo?
O royalty fixo é sempre o mesmo valor todo mês. O royalty mínimo é um piso: o franqueado paga o percentual sobre o faturamento quando ele supera o mínimo, e paga o mínimo quando o percentual fica abaixo dele.